Quando me for, quero alimentar uma árvore
Fazer de minha vida esvaída um fruto
A ser degustado vorazmente por um vivo
Fazer dos meus restos uma sombra
Quiçá abrigar um jovem casal
E dar de comer ao amor
Fazer de meus vermes uma flor
Que será colhida e entregue de coração
Assim pulsarei ainda morto
Fazer do algo que um dia fui
Algo que hoje é
Da minha carcaça seca
Imortalizar num jardim
A vida após a morte é a vida.

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Minha embarcação jogada ao mar range
Como se fosse partir
Cruza as guerras do oceano pacífico
Mas finca sobre a maré
Sem levantar bandeira branca
Senão a vela alva que doma o destino.

Há um farol de nome Esperança
Vagalumeando em noites sombrias
Há sempre um cais por perto
onde se pode ancorar em ombro amigo.

Nós, navegantes, ainda que todos sós
Nunca estamos sozinhos
Há num peito uma bússola
Nos pés um timão
Ninguém possui mapa
Navegamos com coragem e dúvida
na desconhecida escuridão.

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Quero sugar o néctar da vida
Chupar todas as suas flores
E não é tudo frágil pétala?
Não é tudo fugaz e perigoso
como uma rosa?

Pois desenharei na pele com espinhos
os mais belos traços
Pintarei de margarida os olhos violetas
Ora, é sempre escuro
para quem não quer abrir os olhos
Razão pela qual insono
Para fazer das cores um licor
Bebericar deste éter até inebriar
E tonto encontrar a verdade
nas mentiras que invento para mim.

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Somos noventa por cento vazio
Um largo vão entre os átomos
Por isso a vontade de devorar tudo
Antes que sumam num átimo
Por isso o desejo de alimentar a carne
Para que se supra o oco ávido.

A vontade é um ácido fora do estômago
Tem-se fome até do que foge à vista
Principal manjar do âmago
O palpável não sacia e não excita.

Viver é mastigar ou ser mastigado
O tempo aos poucos nos rumina
Feito uma grama na boca do gado
E depois cospe na terra
como um caroço de melancia
que parte para viver outra vida.

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A carne negra está de promoção!
Pingando sangue, ainda fresca
Vem temperada com chumbo
O açougueiro tem uniforme camuflado
Seu cutelo cospe metais fugazes
Uma fatia para o jornal, uma fatia para a polícia,
uma fatia para o congresso, uma fatia para as bocas pálidas e sedentas
Tem para todos o sabor da morte
O país está cercado de abutres.

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Adriel Alves

Adriel Alves

Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe