Apoteose

Foi isso, eles conseguiram. A neuroplasticidade mecânica dos algoritmos atingiu o ápice. Os circuitos superaram as veias, os processadores superaram as mentes.

Alcançada a apoteose, os seres de carne comiam na mão dos dispositivos. Eles sabiam de tudo: o que você deveria comer, o que fazer, o que você gosta e desgosta, quem você deve conhecer, o que você deve falar, como deve ser a sua face e o seu corpo, tudo de acordo com os melhores padrões automática e matematicamente calculados.

Os dispositivos, em seus quadros luminosos, tornaram-se gurus do lifestyle. Eles sabem configurar o seu mindset para que seus olhos não descolem da tela. Eles sabem segurar seus dedos para que não ousem apertar o power. Tudo isso sem dotarem de membros, feições ou articulações. Basta a telecinésia do vício.

Num passe de mágica, o real cedeu à ilusão, perante as novas tabuletas do Sinai reescritas em C++ pelo deus Algoritmo. O palpável perdeu o encanto, o virtual era o açúcar no amargo, tudo na mais perfeita perfeição adorada, aleluia! O primeiro mandamento era imponente: Não me largarás.

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Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe

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Adriel Alves

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