Aspirações

Queria ser gigante como os Beatles
na última turnê de 1966
Discreto como um gigante adormecido feito o Manoel
em seu quintal maior que o mundo
admirando as formigas
cujos cus são mais úteis à humanidade
que as bombas atômicas
(que dormem em algum subsolo num sono leve)
Desejo o otimismo de Adélia, pois concordo com ela:
A vida é mais tempo alegre do que triste
Ainda que mais breve do que sem fim
Almejo uma casa lotada de mim
como foi Pessoa e suas pessoas
insones tais quais as estrelas cansadas
de tanto brilho, num cansaço de existir
Mas eu quero mesmo é que o cintilar não cesse
ainda que fadigue
Que a luz desse astro percorra anos-luz
sem nem mesmo dar nós nos cadarços
e quiçá tropece e caia de cara no brilho
do olho de alguém causando supernova
Eu quero é que a arte me engula
e pulse em minhas veias mais que sangue
Faço coro ao companheiro Gullar
A arte existe porque a vida não basta.

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Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe

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Adriel Alves

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