Cogumelo

“Agora me tornei a Morte, a destruidora de mundos”
Oppenheimer colheu seu primeiro cogumelo
Fruto das alucinações humanas
O sopro tórrido de Prometeu
Expelido da boca infernal dos homens
Empanturrando-se de braços e cabeças
Como um Cronos enfurecido
Estampando borra de gente na parede
Sombra que o sol esqueceu de mover
Cozidos o urânio-235 e o plutônio-239
O átomo formiga em um átimo deifica
Apolo erguendo-se do solo
Éolo açoitando tijolos
39 chicotadas nas costas de Hiroshima
Big Bang de tubo de ensaio na Terra
Alastrando por gerações
a ferida que não cicatriza
Chuva ácida de almas no rio de Hades
O Etna dorme e volta a brisa
Mas a guerra sorve novos Ares.

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Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe

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Adriel Alves

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