Deus Mercado

O mercado é a face
que torna ao oposto
quando vê o rosto
de quem não o tem.

O mercado volta-se às ações
Para esbarrotar os sócios
Ao pobre povo sobram os ossos
E moléstias aos milhões.

O deus Mercado é ímpio
Alimenta-se de costelas
Relevadas em peles finas
Dar de comer não o excita.

Mercado de trabalho, um hematófago
Zumbe nos ouvidos às seis da manhã
Suor e sal ocular, a moeda de troca
Ralar a carne até cerrarem o sarcófago.

A bolsa ontem caiu
A bolsa hoje subiu
A bolsa sobre as clavículas
permanece vã.

O mercado, acima do arranha-céu
Cospe na testa dos arranha-chãos
Delira e goza em dígitos milionários
Enquanto os pobres protozoários
contam os níqueis que saltam
de seus sonhos destroçados.

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Adriel Alves

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