História da Antiguidade

Vi nos e-books sobre o tempo em que ainda éramos feitos de carne. Do tempo que a mente não andava lotada de anúncios. Fascinava-me a beleza inimitável do orgânico, aquela metrópole de vasos, tendões, ossos, cartilagens, nervos… Aquele coração que poderia cessar a qualquer minuto, aquelas articulações gelatinosas de tempo limitado, aquelas retinas que iam se tingindo de cinza, os pelos que na corrida contra o tempo ganhavam a prata, a pele que se contorcia ante o inverno cada vez mais próximo, etc. Há uma magia inexplicável em tudo o que pode acabar.

No entanto, nós atingimos o ápice da simplificação, descartando toda forma de complexidade, subjetividade, incerteza… A ditadura dos números se instaurou e nada mais fugiria das paredes dos códigos, onde tudo é estritamente exato e sem margem de dúvida.

Superamos a carne porque ela morria, e ninguém estava de acordo em sumir da existência, o antropocentrismo ainda está no prazo de validade e abarrotando prateleiras. O revés é que fomos sumindo de tal forma que hoje fugimos de qualquer denominação, jogamos a essência num poço profundo sem corda, o que poderia plantar alguma espécie de crise existencial, não fosse a plenitude de nossos bancos de dados incomensuráveis e a extinção dos hormônios.

Hoje não cabemos mais em carcaça nenhuma, seja carne ou lata, superamos esta limitação assim como superamos as distâncias, para virar uma coisa una intrinsecamente conectada. Um emaranhado infinito de circuitos entrecortando o silício com uma alma de internet. Permaneceu apenas a sina de ser só uma memória na placa mãe do universo, agonia infindável. Aguardamos as próximas atualizações.

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Adriel Alves

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