Manoel

Manoel era travesso
Vivia de engolir palavras
Para encher a barriga da poesia, dizia
Gostava de tapar o sol com peneira
Só para sentir o gosto do impossível
Com cabeça nos ombros da lua
Contava histórias como contava estrelas
tricotando sem pressa as constelações.

O jardim era sua televisão
Via aranha embalando marmita
Formiga pavimentando via
Planta em trabalho de parto
Lagarta alugando quarto
Pulgão demolindo caule
Chuva fabricando vale
A vida vibrante da anti-metrópole.

À Manoel importava o desimportante
Descarnava-se das materialidades
Para empreender em assuntos de quintal
Sob conselhos dos assessores alados
Empoleirados sobre a goiabeira
Ele não dava um pio, os acatava
Em matéria de jardim,
aprende-se a ser dono de nada.

Homenagem ao ilustre poeta Manoel de Barros.

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Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe

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Adriel Alves

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