Polvos

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O polvo é um bicho solitário, passa a maior parte da vida sozinho, encontrando-se com outro polvo somente para acasalar. Após o acasalamento, a fêmea cuida dos filhotes até ficar fraca e morrer devorada pelos peixes, dá a vida pela perpetuação da espécie. A vida está sempre intrinsicamente ligada à morte. Melancólica a jornada do cefalópode.

Este bicho único e misterioso tem três corações (eu mal dou conta de um) e nove cérebros (eu mal consigo domar o meu único). Para completar o look alienígena, possuem olhos em formato de W e U, porque o formato de O é muito blasé. Quando se sentem ameaçados usam suas ventosas para fazer uma armadura de conchas ao redor do corpo, assim o predador não consegue mordê-los. Fascinante!

Me intriga muito a inteligência dos polvos e o fato de viverem isolados me leva a refletir que a inteligência pode estar intimamente ligada ao isolamento social, e talvez eu não esteja equivocado em meu questionamento. Li sobre um estudo publicado no British Journal of Psychology no qual foi constatado que pessoas mais inteligentes realmente são mais solitárias, preferindo as atividades não-sociais e ficando mais felizes quando estão sozinhas. Imagino que poucas criaturas marinhas cheguem perto do QI do polvo, por tal motivo, se ele porventura socializasse, provavelmente seria zoado pelos colegas, chamado de esquisitão ou algo do tipo: “Cabeçudo! Oito patas!”; não muito diferente da vida selvagem humana.

O conhecimento é uma benção e uma maldição, pois quanto mais sabemos mais temos ideia do que está além da superfície e as profundezas são assustadoras. No entanto, prefiro a dor de saber demais do que ser ignorante nadando em águas rasas enquanto criaturas abissais puxam pela perna, sem chance de defesa.

Me identifico com o polvo, por ser um animal mutante, por ser um animal que faz questão de fugir dos padrões que lhe foram impostos. Há uma diferença entre solidão e solitude, a primeira é vinculada ao sofrimento de estar só, a segunda é ligada ao sentimento de privacidade e reflexão. Creio que os polvos optaram pela solitude, gostam de estar sozinhos para apreciar e contemplar com seus olhos que enxergam em 360º as maravilhas e perigos das águas profundas. Lhe entendo, senhor Polvo!

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Poeta e escritor. Integrante do portal Fazia Poesia. Instagram: @purapoesiaa. Gostou do conteúdo? Se inscreva no link: https://adriel-alves.medium.com/subscribe

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Adriel Alves

Adriel Alves

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